Confesso que não sei exatamente o nome dele, do cantor da música tema, mas a voz é a mesma, inconfundível. A música era importante para criar a atmosfera, remetendo há um bom tempo atrás, quando o seriado passava nas primeiras temporadas. Anos 80, meados dos anos 80. Eu deveria ter perto dos meus 10-11 anos, talvez até menos. Era jovem demais para ligar pra essas datas, porém, aguardava ansioso os episódios.Pedro e Bino eram os nomes dos personagens. Não só eram, como ainda são, já que o seriado voltou. Carga Pesada, um dos primeiros seriados que me lembro ter acompanhado de perto. A história dos amigos caminhoneiros Pedro e Bino, a dupla formada por Antonio Fagundes e Stênio Garcia. Pelo menos uma vez por semana eu me transportava do apartamento em Curitiba para a vida na estrada.
A minha infância foi repleta de seriados. Fui uma daquelas crianças crescidas em apartamento e, antes que me olhe com desprezo, não pense que isso me fez mais inocente, também tive meus momentos. Mas hoje quando penso no Carga Pesada acho engraçado e, de certa forma, louvável. Afinal de contas, trouxe histórias típicas de caminhoneiros (fantasiadas um bom tanto, é verdade) a todo público da televisão. E histórias bem brasileiras, o que é legal, longe daqueles jargões importados que não fazem muito sentidos aqui, tipo Eles estão fugindo, Johnny, precisamos avisar os tiras!
Mas daí eu volto aos longínquos tempos das primeiras temporadas da série. Eu, uma criança de cidade grande, vendo as aventuras de Pedro e Bino. Visualmente já era um choque, a maioria das cenas se passava na cabine do caminhão, a conversa fluía na boléia e a autoestrada era o cenário. Os atores eram caracterizados de acordo, isto é, sem o glamour das luzes da televisão, com muita barba e camiseta regata. As histórias não fugiam dos seriados normais, com a dupla se metendo em enrascadas, mocinhos e bandidos, mas tudo com uma boa camada de poeira e graxa. Vire e mexe o caminhão quebrava e a história se passava por terra, em algum canto perdido do país.
Interessante pensar como um ambiente tão diferente podia fascinar tanto uma criança, eu no caso, transformando os protagonista do seriado em espécies de heróis. Sim, Pedro e Bino de certa forma foram. Essa coisa de viajar, ganhar o asfalto, dia e noite de estrada, sem horário para chegar e aventuras emocionantes animavam qualquer jovem, comigo não foi diferente. Eu queria fazer parte de tudo aquilo, como o Pedro e o Bino. Talvez um pouco mais como o Pedro, que mesmo barbudo, ainda era o Fagundes e quase sempre se envolvia com umas atrizes globais despenteadas, para parecerem da estrada. Uma visão romântica, eu sei, mas não se esqueça que era criança naquela época.
Depois disso o Carga Pesada ficou um bom tempo fora do ar. Muitos seriados apareceram e outros protagonistas e ídolos foram apresentados. Os enlatados americanos prevaleceram e os sonhos daquela criança foram ficando mais próximos das perseguições dos tiras e comer Marshmelon em volta de uma fogueira.
Hoje em dia o seriado está passando novamente. Hoje não, já faz um bom tempo. E a criança que sempre assistia no passado agora já não é mais criança (pelo menos tão criança...). Atualmente, desde que as viagens de ônibus passaram a ser uma necessidade, a estrada deixou de ser um lugar tão excitante. Os caminhões, esses se tornaram apenas muito mais um motivo de preocupação, fossem eles dirigidos pelo Pedro ou pelo Bino. Os tempos mudaram, mas algumas coisas ainda permanecem. Boa parte dos caminhoneiros continuam barbudos, os seriados americanos continuam falando em tiras e o Antonio Fagundes continua pegando as atrizes globais (penteadas ou despenteadas). Eu, por outro lado, continuo almejando o jeito sedutor do Pedro, embora meu desempenho esteja mais próximo do Bino, isto é, atacando pelas beiradas.
2 comentários:
não gosto desse seriado, mas td bem!
bejus!
Não gosta? Bom, tudo bem, acho que tem muito do universo masculino lá. Sabe como é, homem gosta de máquina, estrada, trabalho pesado e outro homem para ficar falando besteira nas horas vagas. Ei... pensando bem, é meio chato mesmo...
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